ANÁLISE:
O poema CAOS foi escrito em versos livres, sem seguir uma
métrica específica. Conseguimos
visualizar rimas internas entre muitos versos, mas de forma despretensiosa, ou seja,
sem seguir um ritmo fixo, obrigatório.
A linguagem utilizada é simples, sem expressões rebuscadas,
haja vista que a autora pretende atingir os diversos tipos de leitores, desde
os mais simples aos eruditos.
A poesia de Joana Miranda encanta-nos, pois traz uma
linguagem cativante e sincera. Conseguimos, assim, conjecturar a verdade em sua
forma de encarar a vida e a atmosfera ao redor.
O referido texto traz reflexões sobre um estilo de vida, que
caminha em meio ao caos e mediocridade, cuja sociedade tem tentado indicar como
modelo padrão e ditar seus princípios como únicos e absolutos, o que muitas
vezes leva-nos a esse caos a que a autora se refere no poema e tira-nos a paz.
A poetisa cita a vivência “longe da faixa”, distante da “moral”
indicada por uma sociedade hipócrita. A todo o momento, o eu lírico
faz uso de linguagem figurada, metáforas e paradoxos para demonstrar sua
insatisfação perante a hipocrisia social.
Por conseguinte, os mesmos que criticam a forma descolada de
viver, vivem-na no modo disfarçado, muitas vezes, maquiando seus desejos e
vontades, a fim de não serem penalizados ou subjugados, excluídos pelo sistema
vigente.
O poema fala em se perder e se encontrar, contudo nunca se
encaixar nessa forma "padrão” de pensamento que é ditada pela sociedade.
Portanto, deixamos de ser quem realmente somos por conta de uma conduta social
mascarada repleta de hipocrisia.
Observa-se no verso, "Meu prazer em ser do contra",
a satisfação do eu lírico por não se sentir incluído nesse universo
"homogêneo de pensamento", controlador e excludente. A revolta é
nítida ao longo do poema, demonstrando a não aprovação desse modelo, dito como
"correto" e único, para ter aprovação social. Assim, quem pensa
diferente é tido como subversivo e rebelde.
Nesse sentido, pode-se dizer que a poetisa não pretende encaixar-se
nessa forma controladora que nos é imposta. Isto é, mesmo que haja conflitos,
ela jamais vai render-se a esse universo massificador, cuja função é controlar e
ditar até mesmo a forma de pensar e agir perante a sociedade.
Concluímos que há desprazer do eu lírico, o tempo todo, ao
longo do poema, e a não aceitação do usual e corriqueiro, quer dizer, do
pensamento senso comum. O lema é pensar diferente, ser seu próprio guia ou ter
sua própria forma de agir e pensar, ainda que arque com as devidas
consequências.
QUEM É A AUTORA:
Joana Miranda é uma escritora,
compositora e musicista, oriunda de São Paulo, cujo trabalho vem sendo
desenvolvido ao longo de uma década. Seu talento com a arte e escrita tem sido
notado em seus poemas e canções ao longo dos anos.
A forma natural, espontânea, portanto, de expressar seus sentimentos e anseios no papel, por meio da poesia, torna Joana Miranda uma grande promessa da escrita moderna brasileira. Aguarde pelos próximos livros da autora.
Em breve, traremos mais análises
poéticas!
Muitíssimo obrigado, Joana Miranda, por presentear-nos com seus versos maravilhosos!
REFERÊNCIA:
MIRANDA, Joana. Troca, in: Poeticamente. São Paulo: Independente, pág. 17.
Fotografia: Fernando Cardamone
Análise por: Anderson Echeverria
Possui Graduação em LETRAS: Habilitação Português/Inglês, pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS); e Especialização em Linguística Aplicada ao ensino de Língua Portuguesa, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFGD).


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