sábado, 11 de maio de 2024

 




ANÁLISE:

O poema CAOS foi escrito em versos livres, sem seguir uma métrica específica. Conseguimos visualizar rimas internas entre muitos versos, mas de forma despretensiosa, ou seja, sem seguir um ritmo fixo, obrigatório.

A linguagem utilizada é simples, sem expressões rebuscadas, haja vista que a autora pretende atingir os diversos tipos de leitores, desde os mais simples aos eruditos.

A poesia de Joana Miranda encanta-nos, pois traz uma linguagem cativante e sincera. Conseguimos, assim, conjecturar a verdade em sua forma de encarar a vida e a atmosfera ao redor.

O referido texto traz reflexões sobre um estilo de vida, que caminha em meio ao caos e mediocridade, cuja sociedade tem tentado indicar como modelo padrão e ditar seus princípios como únicos e absolutos, o que muitas vezes leva-nos a esse caos a que a autora se refere no poema e tira-nos a paz.

A poetisa cita a vivência “longe da faixa”, distante da “moral” indicada por uma sociedade hipócrita. A todo o momento, o eu lírico faz uso de linguagem figurada, metáforas e paradoxos para demonstrar sua insatisfação perante a hipocrisia social.

Por conseguinte, os mesmos que criticam a forma descolada de viver, vivem-na no modo disfarçado, muitas vezes, maquiando seus desejos e vontades, a fim de não serem penalizados ou subjugados, excluídos pelo sistema vigente.

O poema fala em se perder e se encontrar, contudo nunca se encaixar nessa forma "padrão” de pensamento que é ditada pela sociedade. Portanto, deixamos de ser quem realmente somos por conta de uma conduta social mascarada repleta de hipocrisia.

Observa-se no verso, "Meu prazer em ser do contra", a satisfação do eu lírico por não se sentir incluído nesse universo "homogêneo de pensamento", controlador e excludente. A revolta é nítida ao longo do poema, demonstrando a não aprovação desse modelo, dito como "correto" e único, para ter aprovação social. Assim, quem pensa diferente é tido como subversivo e rebelde.

Nesse sentido, pode-se dizer que a poetisa não pretende encaixar-se nessa forma controladora que nos é imposta. Isto é, mesmo que haja conflitos, ela jamais vai render-se a esse universo massificador, cuja função é controlar e ditar até mesmo a forma de pensar e agir perante a sociedade.

Concluímos que há desprazer do eu lírico, o tempo todo, ao longo do poema, e a não aceitação do usual e corriqueiro, quer dizer, do pensamento senso comum. O lema é pensar diferente, ser seu próprio guia ou ter sua própria forma de agir e pensar, ainda que arque com as devidas consequências. 


QUEM É A AUTORA:

Joana Miranda é uma escritora, compositora e musicista, oriunda de São Paulo, cujo trabalho vem sendo desenvolvido ao longo de uma década. Seu talento com a arte e escrita tem sido notado em seus poemas e canções ao longo dos anos.

A forma natural, espontânea, portanto, de expressar seus sentimentos e anseios no papel, por meio da poesia, torna Joana Miranda uma grande promessa da escrita moderna brasileira. Aguarde pelos próximos livros da autora. 

Em breve, traremos mais análises poéticas!

Muitíssimo obrigado, Joana Miranda, por presentear-nos com seus versos maravilhosos!





REFERÊNCIA:

MIRANDA, Joana. Troca, in: Poeticamente. São Paulo: Independente, pág. 17. 


Fotografia: Fernando Cardamone 

 




Análise por: Anderson Echeverria

Possui Graduação em LETRAS: Habilitação Português/Inglês, pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS); e Especialização em Linguística Aplicada ao ensino de Língua Portuguesa, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFGD).


Fotografia: Anderson Echeverria



Obrigado, caro leitor, pela leitura e suporte! 
Abraço!





Atenciosamente,

Anderson Echeverria


















  ANÁLISE: O poema CAOS foi escrito em versos livres, sem seguir uma métrica específica. Conseguimos visualizar rimas internas entre muito...